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aguia-ira

FÓRUM DO CAÇADOR

Os textos aqui publicados tem por finalidade estimular e colaborar na difusão de ideias e pensamentos, integrando a comunidade brasileira de pilotos de caça e preservando suas tradições e seu espírito de corpo, bem como promovendo a interação entre seus componentes e a Força Aérea Brasileira.

A partir do número 108 os artigos do FÓRUM DO CAÇADOR não são mais destacados nesta seção. Estão publicados no próprio ABRA-PC Notícias, e ali podem ser acessados.

Os artigos abaixo, destacados dos ABRA-PC Notícias até o número 107, estão listados por ordem decrescente de publicação (do mais recente para o mais antigo).


 

FÓRUM

(no 46, jul/ago 2014)

 No Campo da Intelectualização

Plano de educação permanente, uma nova postura para a FAB

caneta..'. início de texto 

A grande quantidade (e que aumenta dia a dia) de nossos Oficiais e Subalternos que voltou a frequentar os bancos universitários, nos últimos tempos, já parece merecer um estudo de suas razões no seio da Força Aérea. Não que haja “erro cometido” na opção profissional mas, sendo fato inusitado (como se pretende demonstrar) parece realmente merecer uma análise... E, talvez, uma tomada de posição ou mudança de atitude da Organização.

Para um antigo “mestre-escola”, já acostumado aos “brados e lamúrias” dos nossos “estudantes” nas fainas da EAOAR, ECEMAR, etc., é difícil entender como esse elevado contingente se submete, passiva e pacificamente, a um novo processo escolar, a ele dedicando suas minguadas horas de lazer ou de convívio com a família!

Tentando arrazoar sobre o “fenômeno” (invulgar, em termos numéricos) concluímos que parece ser um problema relacionado com o processo educacional em curso. Ou melhor, com a inexistência de um “Plano Educacional Permanente” para os nossos Quadros. Um Plano que esteja permanentemente presente durante o transcurso de toda a carreira, e não episodicamente, como é a volta aos bancos escolares atualmente prevista nos regulamentos. E – talvez mais ainda – um Plano Educacional coerente com aquilo que se pratica em todo o mundo civilizado e que abrange os profissionais-das-armas, sem exceções, vis-à-vis às imposições da carreira face à guerra aérea moderna.

Enfrentemos os fatos. A nossa FAB foi criada em período de guerra e, na realidade, o que fizeram nossos antepassados e pioneiros foi “pôr de pé” uma Organização Militar que, desde aquela data e até hoje, continua a ter, uma destinação mesclada dentro do panorama militar brasileiro: desenvolvimentismo (?). Encurraladas nesse contexto, as Escolas de Formação e até a Academia da Força Aérea, que durante diversas gerações de Alunos e Cadetes (e mesmo até hoje) se viram às voltas com currículos variáveis e de objetivação dúbia (decorrente da mencionada “destinação mesclada”)... “não teriam garantido aos seus Aspirantes e Graduados, nessas seis décadas, uma formação intelectual atualizada, que viesse a assegurar o necessário embasamento e a abertura desejada para garantir a aquisição de novos e imprescindíveis conhecimentos para a carreira, visando os anos 2020, século da robótica e informática”. Mesmo não sendo totalmente verdade, pelo menos, essa é a avaliação que todos fazem. Emblema da UNIFA

Tentando estimular o gosto pelo voo, alguns (curioso!) colocam em dúvida a importância e a prioridade dessa busca pelo aprimoramento intelectual continuado e atualizado no soldado-do-ar dos anos 2000. Com essa visão, é criada uma mentalidade sui generis no espírito do plantel de Oficiais e Subalternos jovens, e oposta àquela que se impõe, até mesmo, à mocidade escolar do mundo e dos dias de hoje: voar deve ser visto como “elevação de nível?”

Além disso, as Unidades Aéreas de Instrução, recipiendárias dos Oficiais e Subalternos recém-graduados, com problemas típicos de reduzidos efetivos, de orçamento, de manutenção e suprimento além do engajamento no Programa Operacional que lhes compete, nem sempre conseguem garantir aos seus estagiários, nada que esteja além das “exigências mínimas” (?) para o desenvolvimento de carreira. Com isso, pouco (ou na realidade quase nada) é dedicado às atividades intelectuais curriculares e extracurriculares.

Por outro lado, engajados na execução dos Programas de Voo e manutenção do estado operacional de suas tripulações, as Unidades Aéreas de Emprego quase sempre são compelidas a deixar para o plano secundário o Programa de Instrução Terrestre (Acadêmico) que lhes cabe. Além disso, não existindo um compromisso tácito entre o escalão subordinado e o escalão superior, com relação ao cumprimento de mínimos acadêmicos, quase sempre essas manifestações de caráter intelectual caem no rol das matérias de menor prioridade. Ou até no esquecimento... Atividades acadêmicas de pós-graduação? Nem falar...

Mesmo considerando a dificuldade de fazer negar a inexorabilidade dos elementos antes citados, há que se convir que os homens-de-armas mais ávidos, criados sob a égide de tal conjuntura e sem estar sendo conduzidos e/ou motivados para a busca de um melhor nível cultural, optam pela marcha na direção dos bancos universitários por decisão própria. Será uma fuga, uma compensação íntima ou uma vontade coletiva insatisfeita?

Cumpre pesquisar...

Embora a realidade seja, seguramente, menos cruel do que a que acima descrevemos, as nossas poucas bibliotecas testemunham que os nossos homens de uniforme pouco leem, o que nos fornece mais elementos para sustentar a tese. Nem mesmo os livros de aviação ou relacionados com a profissão parecem despertar maior interesse. O que parece estranho. Mas, neste caso, o desconhecimento de uma língua estrangeira, que propicie leitura de bibliografia importada, é um sério agravante o que – de alguma forma – poderia justificar a ausência de leitores, já que aeronáutica e espaço são, prioritariamente, impressas em outra língua, que não o português. Cumpre pois, dominar outro idioma e isso, mais uma vez, só através do aprendizado. Com um clima desse tipo, todas as tentativas de assegurar uma aquisição continuada de conhecimentos (mesmo que ela seja diretamente relacionada com o trabalho que está sendo realizado, naquele imediato momento), têm tido pouco sucesso... Com isso, o nível cultural fica estagnado no nível anterior...

Aparece então um brado de interrogação e alerta: estará, até mesmo, a curiosidade profissional desaparecendo???

cheque-mateAssim, inseridos nesse panorama, com orientação cultural institucionalmente dirigida, os Oficiais, ascendem aos primeiros postos da carreira sem carregarem, de um para o outro, a bagagem de cultura e conhecimentos fundamentais que, in totum, obrigatoriamente já deveriam possuir. Nesta fase chegam a assumir pequenos Comandos e Chefias. Caberia aqui, além disso, alguma consideração quanto ao nível de conhecimentos técnicos e táticos que possuem. E aqueles relacionados com a psicologia aplicada, relações humanas e inter-relações sociais?

E é a partir desse estágio na carreira que um grande número de Oficiais e Subalternos, principalmente dos postos intermediários, inteiramente conscientes do espaço vazio intelectual a preencher, estimulados por uma vontade de vencer a “inércia e o status-quo” passa a dedicar o seu pouquíssimo tempo disponível, fora de seus horários de trabalho, a cursos nas Universidades! E o fazem até mesmo nos penosos cursos noturnos! Sem que essa possa ser considerada uma escolha errônea, demonstra “autodidatismo sem orientação” ou “formação intelectual autogestionada”. E onde fica a Organização?

Urge, parece, adotar uma medida corretiva, talvez estabelecendo um “Plano Educacional Permanente para a Força Aérea” que, praticada de forma somatória, curricular e extra-curricularmente, permita o incremento no domínio da intelectualização dos nossos homens e atenda, ao mesmo tempo, aos impulsos dos mais motivados e de maior potencialidade e – por que não? – a alguns dos muitos reclamos da própria Força...

Para tanto, o primeiro e imprescindível passo será o de “fixar com clareza” e perenidade os objetivos (o “para quê”) a atingir na formação dos nossos homens, definindo perfis, estabelecendo métodos de desenvolvimento de potencialidades, de avaliação de desempenho e mérito, fixando níveis a atingir coerentes com as exigências do serviço, nivelando o plantel humano por cima (e não por baixo), estimulando os mais capazes a permanecerem nos Quadros e eliminando, em qualquer fase do processo, os reconhecidamente incapazes, indesejáveis e desajustados.

Encerrando, assim de uma vez por todas, a famosa e envelhecida questão até hoje não respondida: “formar homens para a AERONÁUTICA ou para a FORÇA AÉREA?”

Em suma, ir ao que chamamos “começo de tudo”: os currículos das Escolas de Formação.

No caso da AFA, por exemplo, até hoje a Organização vive o dilema entre dar aos Cadetes uma formação voltada para as ciências sociais (“já que ele comandará homens”) ou para as ciências exatas (“já que ele será o gestor de sistemas complexos”). Ou, pior ainda, “assegurar os critérios necessários para que, ao ser desligado, o elemento tenha facilitado sua retomada escolar na vida civil”, neste caso trabalhando para aqueles que não ficam conosco em detrimento dos que ficam!!! E o currículo da EEAer, pulverizado em mais de 25 cursos diferentes, não seria também um “sinal”?

Após isso, dar partida a um Plano dessa natureza parece ser apenas questão de compatibilizar a montagem dos Programas de Instrução Terrestre das Unidades com as iniciativas tomadas por algumas Escolas e Unidades da FAB e, ainda com as iniciativas individuais, unificando – no seu cerne – todo o processo educacional encadeando-o, passo por passo, e em todo o espectro da carreira, sem solução de continuidade. Em suma, um trabalho permanente que jamais se interrompe, independentemente do posto, graduação, função ou local de trabalho: uma all training Air Force!

Esse “Plano Educacional Permanente para a Força Aérea” permitirá preencher, a posteriori, os “claros” por ventura existentes nos currículos da AFA, nos Programas de Instrução Terrestre das Unidades Aéreas, no currículos acadêmicos da EEAER, do Curso Especial de Saúde, da EAOAR, da ECEMAR etc., etc., fazendo uma acomodação de assuntos de interesse geral e institucional, eliminando alguma superposição de currículos... buscando obter a tão desejada compatibilização e, também, a aspirada complementação cultural, propiciando o desenvolvimento dos recursos humanos da FAB, permitindo a fuga desse “processo de grilhões” que constrange a criatividade e a plasticidade que caracterizam a educação moderna.

Como se desenvolveria, então, o processo?

Com uma sólida e atualizada base acadêmica, os Aspirantes a Oficial e Graduados seriam entregues às Unidades de Transição imbuídos de uma atitude intelectual receptiva que garantirá, não só o autoaprimoramento como a absorção tácita de novos conhecimentos, quer no campo das ciências sociais, ciências exatas ou no campo de técnica aplicada à profissão das armas.

Nesta fase, percorrerão os primeiros postos da carreira sob a ação de um programa educativo misto de cultura geral e cultura técnico-militar e que poderá, até, ser ministrado por correspondência, em alguns assuntos, mas sempre em paralelo com uma atividade curricular institucional. Não haveria, portanto, os espaços abertos entre os Cursos regulares: estariam todos eles ocupados pelo Plano... E com o Plano!

Caberão às Organizações diversas as providências necessárias, fazendo cumprir o que já prescrevem os Regulamentos: as bibliotecas deverão ser mantidas à altura do Plano e as determinações contidas nas Diretrizes Anuais de Instrução devem ser cumpridas rigorosamente.

Ainda inserido no contexto do Plano caberia listar a bibliografia recomendada e que venha de encontro aos objetivos do mesmo Plano facilitando, inclusive, a aquisição da própria literatura ou documentação. O gosto pela leitura incrementado através de exposições bibliográficas, circulação periódica de livros, campanhas educativas, etc.

Além disso, as Bases Aéreas desenvolveriam um programa de palestras, de desenvolvimento de teses, de painéis, entrevistas didáticas, etc., abordando temas relacionados com a carreira e com o Plano, sempre em um “crescendo”... Para esses trabalhos, a comunidade universitária civil poderia vir a ser convidada para participar.

Para aqueles cuja potencialidade transcendesse aos padrões normais, a Força poderia patrocinar a cessão de bolsas em Universidades zelando para que – nesse caso – as áreas escolhidas fossem de interesse direto da FAB e não só do indivíduo. Com isso, eliminar-se-á o chamado “autodidatismo desorientado”...

Ascendendo dentro do Plano, o Oficial seria entregue à EAOAR, onde tomaria contato com problemas e assuntos da alçada de pequenos Comandos e Chefia. Dentro de um currículo altamente flexível e extremamente compacto, o Oficial seria preparado para solucionar pequenos temas táticos, estimulado a debater a doutrina de emprego da Arma Aérea, a Organização e a Administração eliminando, evidentemente, as matérias já antes tratadas na execução do Plano Educacional Permanente e, por conseguinte, reduzindo a permanência do Oficial fora de sua sede para atender às exigências dos Cursos Regulares.

Essa fase já exigiria um processo seletivo. Dos instruendos, seriam indicados os futuros Instrutores das Escolas, assim como os indicados para cursar as Escolas de nível Estado-Maior ou curso de pós-graduação em Universidades civis.

De volta à tropa, o Oficial ficaria ainda sujeito à ação do Plano Educacional Permanente, por meio de processo estabelecido a priori (que pode ser até por correspondência), até que seja encaminhado aos cursos de nível Estado-Maior.

As Escolas de Estado-Maior e as de alto nível representam a síntese de elaboração do pensamento militar. Das suas pesquisas, dos seus estudos, das suas análises devem frutificar as normas que pautem as doutrinas do emprego, execução e administração. Para bem cumprir seus altos propósitos, às Escolas de nível Estado-Maior e de alto nível caberia estabelecer um processo altamente seletivo para admissão dos seus membros permanentes, consequentemente, dos homens que, no futuro, “regerão” o Plano Educacional Permanente. Esse Plano seria, assim um “circuito fechado” funcionando por consenso e não institucionalizadamente (em tese), e que garantiria uma orientação e ampliação intelectual permitindo o que a Força Aérea Brasileira, en masse percebidamente já requer: uma ação educativa permanente (não episódica), visando ao aprimoramento profissional, mantendo seus membros – antes de mais nada – continuamente comprometidos com as manifestações intelectuais de interesse da carreira... e não apenas com as escolhas (aleatórias) individuais, como é o caso que se tentou retratar nestas notas e que, em nossa opinião são muito mais fruto de uma postura adequada ao passado do que ajustada à modernidade da era da comunicação e da informação...

Outrossim, a título de complementação do raciocínio, é imperioso saber que um sem-número de Forças Aéreas só asseguram o acesso ao generalato para aqueles que, além de haverem cumprido os compromissos regulamentares com o seu Plano Educacional, ainda apresentam um diploma universitário...  

Vale repensar, não?

 

Senta a Pua !

Lauro Ney Menezes – Maj Brig Ar Ref
Piloto de Caça  - Turma 1948
 gaivota...final de artigo

 

 

caneta..'. início de texto título: Nós temos data-limk?

(Fórum no 39, mai/jun 2013)

  
Aliás, temos muito mais Data-Links do que precisamos, mas, infelizmente, não temos ainda o Sistema de Enlace de Dados em Rede de que a FAB tanto necessita. 

 LinK-BR1 ou LInk-BR2 

A CCSIVAM/CISCEA, durante a coordenação do Projeto SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia), teve a oportunidade de gerenciar e acompanhar os trabalhos técnicos do desenvolvimento e implantação do primeiro sistema de enlace de dados da FAB, Ponto-a-Ponto, que ficou conhecido como Link-BR1 e que envolvia os R-99 e E-99, e o CINDACTA IV.

A partir daquele trabalho, a CISCEA aplicou o conhecimento adquirido para ajudar a FAB a conseguir implantar o próximo passo operacional lógico daquela tecnologia; contratando da Embraer a documentação de protocolo e um emulador de testes (DLE) para um enlace de dados em Rede, que foi denominado pela Aeronáutica como Link-BR2.

Possíveis participantes do Enlace de Dados em Rede para a FAB.
Figura: Possíveis participantes do Enlace de Dados em Rede para a FAB.

Faltava apenas a definição dos requisitos específicos para cada possível participante do enlace, quando, com a ingerência dos “Teóricos do Absurdo” e a contínua interferência de empresas estrangeiras, os requisitos do Link-BR2 começaram a ficar cada vez mais complexos, acima até das características do Link-16.

AVanÇos ou reCuOs

Contudo, mercê do conhecimento adquirido durante o Projeto SIVAM por parte da CISCEA, foram obtidos significativos avanços: 1) a documentação de protocolo para o Link-BR2; 2) o fornecimento de uma bancada de testes para o sistema e interoperabilidade de cada participante, conhecida como DLE-2 (Data Link Emulator - tipo 2); e 3) um catálogo de mensagens elaborado em conjunto com representantes do Exército Brasileiro e da Marinha do Brasil.

Em face das exigências de transferência de tecnologia do Projeto SIVAM, a CISCEA conseguiu até mesmo finalizar, com o apoio do CTA e da PUC-RJ, um algoritmo Brasileiro, que passou a definir os processos de salto de frequência e de criptografia para o rádio que já equipava diversas outras aeronaves da FAB, para tornar nossas comunicações de voz e dados mais seguras, com tecnologia nacional.

Entretanto, a definição dos requisitos específicos para cada participante (técnicos e operacionais), que deveria ter sido realizada em paralelo, não avançou, enquanto setores da FAB, ao invés, buscavam se livrar da dependência do rádio que já tínhamos operando integradamente nas nossas aeronaves, sem problemas, em comunicações seguras de voz.

PREconCeitO ou deScoNheCImento

Exatamente esse rádio que já tínhamos era o que teria permitido a implantação do Link-BR2 rapidamente, permitindo à FAB treinar a operação de um enlace de dados em Rede e amadurecer os respectivos conceitos, até que surgisse uma doutrina consolidada sobre o assunto e que pudéssemos realizar o próximo salto tecnológico, definindo, por exemplo, uma interface que permitisse a utilização de rádios programáveis (software radios), de diferentes fabricantes.

Assim, termos como: Data Link Tático, Data Link Intraesquadrilha, Data Link Estratégico, Data Link na Banda L, Data Link para guiagem de mísseis BVR, SISTED (Sistema Tático de Enlace de Dados), “Ponte” de Protocolo, Gateway e outros que tais foram sendo utilizados confusamente e, em paralelo com a argumentação de empresas estrangeiras contra a Banda de UHF, que, por exemplo, é a Banda utilizada no Link-16, dizendo que a solução deveria ser na Banda L, findaram por atrapalhar e, até recentemente, inviabilizar a evolução do assunto na FAB.

NóS teMoS ou Não TemOs DatA-lInk!

Felizmente, a Embraer, com o conhecimento adquirido durante a implantação do Link-BR1 no Projeto SIVAM, notou o potencial do rádio que já tínhamos a bordo dos Super-Tucanos e criou o Link-A29, em Rede, que demorou a ser utilizado operacionalmente pela FAB.

Por acaso, depois de muito tempo instalado sem ser operado, uma iniciativa do, então, Comandante do 1º/3º GAv, permitiu que os “Terceiros”, com seus A-29, passassem a aproveitar muito bem essa ferramenta operacional insubstituível. Contraditoriamente, a Embraer implantou nos F-5 modernizados um novo sistema de enlace de dados em rede, o Link-F5, com tecnologia de empresa estrangeira, que não era interoperável com o Link-A29.

Assim, naquele momento, já tínhamos o Link-BR1 (Ponto-a-Ponto), o Link-A29 (em Rede) e o Link-F5 (em Rede), não interoperáveis.

Continuando no caminho da confusão, foram adquiridos os P-3, com um Link-P3, incrivelmente também incapaz de se comunicar com os demais, apesar de as aeronaves também estarem equipadas com o rádio que já tem a provisão para um enlace de dados em Rede.

Em paralelo, trabalhamos na coordenação do SISTED com o Exército e a Marinha e estranhamente conseguimos convencê-los a adquirir os mesmos rádios dos quais estávamos tentando nos livrar.

A FAB, em seguidas tentativas, continuou tentando a implantação de um enlace de dados em Rede e anunciou recentemente que uma empresa ganhou o Link-BR2.

CoMplexO ou SImpleS

Um complexo sistema de enlace de dados é contraditoriamente simples, porque sua função é apenas transmitir uma informação entre dois Operadores. É complexo, mas isso é o que, hoje em dia, fazemos cotidianamente com e-mails, por exemplo.

Os dois Operadores de um enlace de dados operacional podem estar em diferentes tipos de consoles, cabines ou postos de trabalho, e contarem com diferentes tipos de interface homem-máquina, mas precisam ter sistemas interoperáveis, que possam trocar informações entre si, confiável e seguramente. A sequência é simples:

 Exemplo de Enlace de Dados entre dois Operadores.
Figura: Exemplo de Enlace de Dados entre dois Operadores.

O Operador A seleciona uma informação que deseja transmitir para o Operador B ou para uma Rede com vários Operadores. O Sistema Operacional de A converte a informação selecionada em uma sequência de bits, que são enviados para o Subsistema de Enlace de Dados de A.

O Subsistema de Enlace de Dados A reformata esse trem de bits em pacotes, de modo a que possa ser compreendido e transmitido pelo Rádio de A.

O Rádio A transmite os pacotes de bits para o rádio de B (ponto-aponto) ou para os rádios de vários Operadores (rede).O Rádio B recebe a transmissão do Rádio A e recompõe os pacotes de bits, que são encaminhados ao Subsistema de Enlace de Dados B.

O Subsistema de Enlace de Dados B recebe os pacotes do Rádio B e recompõe o trem de bits original de A, que é encaminhado para o Sistema Operacional de B.O Subsistema Operacional B recebe o trem de bits original, que é convertido para a informação original, transmitida pelo Operador A, e entendido pelo Operador B ou pelos demais Operadores, no caso de uma Rede.

É claro que os “Teóricos do Absurdo” têm a capacidade de tornar muito mais complexa essa simples descrição de um sistema, incluindo diversas outras camadas tão complicadas quanto possível, em conformidade com seja lá qual for a teoria de tecnologia de informação do momento, transformando-a em algo ininteligível para os não iniciados.

sImpleSMente CoMpleXo

Naturalmente, considerando que o Link-BR2 será em Rede, com vários possíveis participantes, somente a respeito do protocolo de transmissão e recepção da Rede ainda temos que nos preocupar com a sincronização e sequenciamento das transmissões, com as chaves de segurança para as comunicações seguras e para definição da rede, com a alocação de canais e slots, com a geração, transmissão segura, atualização e implantação das chaves de segurança, o tamanho dos slots, a quantidade de participantes e o número de slots na rede, dentre outros itens.

O curioso é que o rádio do qual a FAB quer se tornar independente, antes mesmo de utilizá-lo operacionalmente em um enlace de dados padronizado, já tem todas essas soluções de rede embutidas e integradas, o que evitaria termos que definir requisitos complexos, antes de a FAB adquirir alguma experiência real no assunto.

Como exemplo, a Força Aérea da Suécia operou um sistema de enlace de dados simples durante mais de vinte anos, aceitando algumas limitações, antes de definir e implantar o TARAS, seu atual sistema, que é dotado de capacidade e funcionalidades excepcionais.

Além dos itens de protocolo de transmissão e recepção da Rede já citados, ainda precisamos nos preocupar com endereçamentos simples e múltiplos, fragmentação, armazenagem e desfragmentação das informações, dependendo do tamanho do que se quer transmitir, limites de tempo de vida das mensagens, filas e prioridades, retransmissões, pontes de transmissões, precisão e resolução dos dados, etc.

Para cada participante ainda seria necessário definir a simbologia na interface homem-máquina, o modo de entrada de dados, a integração dos dados nos diversos sistemas da plataforma, que dados seriam transmitidos ou retransmitidos, que dados seriam recebidos, etc.

inTeropeRabiLidaDE

Finalmente, temos que ter certeza de que os enlaces de dados implantados em cada plataforma sejam realmente interoperáveis, possam de fato trocar as mensagens previstas entre si corretamente, considerando que cada um dos participantes pode ter e provavelmente terá subsistemas (visualização de dados, interface homem-máquina, entrada de comandos, hardware etc.) completamente distintos de alguns dos demais.

É exatamente essa possível variedade de plataformas, cada uma com seus próprios subsistemas e condicionantes, que exige a definição de requisitos específicos para cada participante, apesar de já existir a documentação de protocolo, o catálogo de mensagem e o DLE-2 para os testes.

A implantação do Link-BR2 nos Órgãos de Controle de Operações Aéreas Militares (OCOAM), por exemplo, terá que considerar, além da própria complexidade do sistema, que os rádios terrestres estão em localidades remotas, normalmente conectadas ao centro operacional por enlaces satelitais, que incluem variados retardos na transmissão e que irão exigir soluções diferentes das aplicadas às aeronaves.

O Link-A29 é o que está mais próximo do Link-BR2, com algumas ressalvas. Não permite a transmissão de mensagens que exijam fragmentação, não possui retransmissão de mensagens e não inclui mensagens mais abrangentes de combate eletrônico, por exemplo.

EsTamoS quAsE Lá ou nÃo

Só falta que a FAB defina os requisitos técnicos e operacionais específicos para cada participante do Link-BR2, para que possa contratar o desenvolvimento, implantação e testes desse enlace para cada plataforma, de acordo com o fabricante/desenvolvedor do seu Sistema Operacional.

De acordo com o participante selecionado, quais mensagens ele deverá receber, transmitir ou retransmitir? O que o Sistema Operacional de cada participante deverá fazer com as Informações recebidas e como apresentá-las ao Operador? Como assegurar que as “chaves” sejam comuns e possam ser atualizadas oportunamente em todos os possíveis participantes do Link-BR2, sem riscos de segurança?

Diversidade de Plataformas e Sistemas envolvidos no Link-BR2.
Figura: Diversidade de Plataformas e Sistemas envolvidos no Link-BR2.

Como o Sistema Operacional de cada participante deverá estabelecer, entrar ou sair de um enlace de dados? Como definir quem será o gerente(Master ou até se haverá um ou mais gerentes da Rede? Quem será responsável pelo sincronismo dos participantes? Como fazer se houver perda de sincronismo? Como atualizar as chaves criptográficas com segurança? Quem será responsável por gerar e controlar a atualização das chaves criptográficas? Como dividir essa responsabilidade entre as Forças Armadas?

É FácIl ou dIfíCiL

É fácil. O Link-BR1 já mostrou o caminho e foi entregue com documentação completa, que poderia ser utilizada como modelo para o Link-BR2, mas exige dedicação, conhecimento e decisão, além de disponibilidade de uma equipe para trabalhar no assunto por período acima de dois anos.

Por exigências da carreira, a FAB tem dificuldade em manter seus Oficiais na mesma função por muito tempo, o que é essencial para o desenvolvimento de um programa com a complexidade do Link-BR2.

Por isso, a solução óbvia é terceirizar os serviços que exijam pessoal experiente e permanente, mantendo os requisitos operacionais sob controle dos especialistas da FAB, para finalmente definirmos os Requisitos Específicos para cada participante do enlace de dados em Rede da FAB e, tudo seguindo como deveria, do enlace comum às Forças Armadas.

O Governo já tem diversas soluções legais para esse tipo de terceirização de serviços, onde o trabalho de quem já tem ou teve experiência no assunto poderia ser aproveitado, com a elaboração de documentos e execução de serviços que não sejam de responsabilidade exclusiva do órgão público, mas sob a sua supervisão e fiscalização.

Além disso, seria possível utilizar a experiência da CISCEA com o Link-BR1 e da Embraer com o Link-A29, para manter o processo simples e prosseguir com a implantação do Link-BR2, ao invés de continuarmos a “perseguir o ótimo, sem nunca conseguirmos ter o bom”.

gaivota...final de artigo

Alvaro Luiz Pinheiro da Costa – MB (R1)
Piloto de Caça - Turma 1976
    
 

Momentos Ímpares da Vida
(Fórum no 38, mar/abr 2013)

Caros amigos e companheiros caçadores!!!!

Estou lhes encaminhando um e-mail que enviei, inicialmente, para os meus familiares (pais e irmãos), para lhes contar sobre uma missão simples, porém, muito significativa para um piloto de caça e ex-aluno da nossa gloriosa EPCAR, enfim... vamos ao que interessa.

Comecei o e-mail para os meus familiares da seguinte maneira:

Para aqueles que têm boa memória (o coroa tem uma memória sensacional, rs...), no dia 21/02/2013, fez 14 anos que cheguei à gloriosa Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR), nos idos de 1999. 

Naquela tarde de domingo, de bermuda (o que não era e nunca foi permitido), completamente perdido, cheio de dúvidas, incertezas, inseguranças, medos, enfim... se apresentava o estagiário a aluno 99/164 Fórneas, na verdade Ramon, pois o nome de Guerra só seria escolhido depois daquela despedida, onde olhei para trás e me despedi de quem lá estava (papai/mamãe) apenas com o olhar.

Entretanto, não estou lhes escrevendo para resumir nem fazer recordações dos inúmeros fatos, conquistas, dificuldades, tombos e desafios vividos nestes quase 14 anos de vida militar, mas, contar um fato ocorrido neste mês de janeiro de 2013.

No domingo passado (20/01/2013), tive o privilégio de ser escolhido (na verdade escalado, pois a missão era num domingo... rs) para liderar uma missão até então inusitada para o Primeiro Grupo de Aviação de Caça (pelo menos nessa minha encarnação no Grupo, como dizia o CMT do 1º GAVCA quando aqui cheguei, TCel Rodrigo), ou melhor, a missão em si não era novidade (passagem baixa), mas o motivo sim, fomos acionados para realizarmos as passagens baixas na solenidade de recepção dos novos alunos da EPCAR. 

Assim que fiquei sabendo da missão, entrei em contato com o coordenador da mesma, Cap Aron (Oficial da EPCAR e JOCA do dia) e o informei que seria o líder da missão, questionei ainda, se existiria a possibilidade de deixar a frequência aberta, ou seja, pedi para que fosse colocado um alto-falante próximo do público e tudo o que eu conversasse com o outro piloto, seria ouvido pelo público presente na EPCAR (tive que explicar, pois minha família não iria entender ”frequência aberta”... rs), logo, o mesmo disse que iria fazer as solicitações ao CMT da EPCAR, que na oportunidade, era Brig do Ar Waldeísio (ex integrante do Primeiro Grupo de Caça), que em 2004 (ano da minha formatura na AFA), como Coronel Aviador, comandou o Corpo de Cadetes da Aeronáutica em Pirassununga-SP.

O que não era difícil de esperar aconteceu, ou seja, em menos de 5min ele me retornou dizendo que o Brigadeiro tinha gostado da ideia e que iria providenciar a tal caixa de som.

E assim foi feito, depois de CRAVAR o HSO e BINGAR o local previsto para as passagens (não poderíamos fazer diferente), fizemos mais algumas passagens, logicamente mais do que as que estavam inicialmente previstas (por solicitação do Brigadeiro, é claro rs...) e, em uma delas, dirigi algumas palavras de incentivo aos novos alunos da EPCAR, ou candidatos a alunos, afinal, a adaptação estaria apenas começando, rs... se nada mudou.

Para minha surpresa, uma semana após ocorrido, alguns amigos, da própria turma (Ponto 50 da EPCAR), me ligaram perguntando sobre o evento, eles queriam saber quem eram os pilotos da missão, pois tinha saído no Portal da FAB a seguinte matéria: http://www.fab.mil.br/portal/capa/index.php?mostra=13941.

Eu pedi, no e-mail inicial, para que os meus familiares observassem as fotos logo abaixo da matéria disponibilizada no Portal da FAB, onde eles poderiam ver as duas aeronaves F-5 e os novos alunos, que, diga-se se de passagem, nada mudou nestes 14 anos, rs... ou 28, 42 anos para alguns que talvez estejam lendo este texto agora, rs...

Assim que pousamos aqui no Campo Nero Moura, o Cap Aron me ligou e disse que o Brigadeiro estava agradecendo o 1º GAVCA pelas passagens e pelas palavras dirigidas aos novos alunos e familiares presentes. Segue em anexo, a foto dos pilotos responsáveis por esse momento marcante na vida de todos que um dia, de uma maneira ou de outra, sentiram a emoção de passar por aqueles portões da nossa ”Escola de Barbacena/Entre montanhas/E o céu de anil”.

Cap Av Fórneas (Al 99/164) / Cap Av Couto (99/005), ambos do segundão rs... por isso o "V" na foto em anexo.

PS: A vida é repleta de momentos ímpares, por mais simples que pareçam ser. Temos que saber aproveitar e valorizar cada um deles.

Obrigado a todos pela companhia nestes quase 14 anos de vida militar.

SENTA A PUAAAAA!!!!!!

Ramon Lincoln Santos – Fórneas – Cap Av
Piloto de Caça - Formado em 2005 no 2º/5º GAv

Justa homenagem
(Fórum no 37, jan/fev 2013)

 

 

Venho buscando, há algum tempo, um bom motivo que me leve a escrever mais um artigo para a ABRA-PC. Felizmente, relendo algumas edições passadas do nosso periódico, me dei conta de que temos uma equipe multidisciplinar de colaboradores. Uns mais filosóficos outros mais técnicos e até mesmo alguns poéticos ou engenhosos (como disse o Cel Kauffman na edição de SET/OUT de 2012).
Ora, como ser original e criativo diante de talentosos companheiros?

Então, busquei nas sábias orientações do Brig Quírico a motivação que me faltava. Chefe, o senhor sempre incentivou a produção cultural de nossa comunidade. E foi com arrojo que risquei essas palavras e arrisquei uma homenagem aos nossos queridos CAÇADORES QUE ESTÃO ATUALMENTE NA RESERVA REMUNERADA.

No último artigo que enviei à ABRA-PC falei sobre LIDERANÇA e EXEMPLO, fatores indispensáveis aos líderes de Esquadrilha/Esquadrão na condução de seus comandados. Agora, sem fugir muito do tema, vi nos CAÇADORES DA RESERVA um digno exemplo de entrega e altruísmo.


Falar de Nero Moura, Pamplona, Lima Mendes, Danilo de Moura, Rui Moreira Lima, Meirinha e tantos outros (nossos eternos HERÓIS) se torna relativamente fácil. Grande bibliografia, relatos abundantes, fotos de época, artigos publicados, entrevistas... enfim, um farto material. O apreço que temos por eles é inegável! Porém, gostaria de mudar o foco e registrar as devidas homenagens aos atuais colaboradores.

Como um bom frequentador de Ximbocas (cervejadas) eu ficava me perguntando o que levava aqueles ex-caçadores, já na reserva remunerada e alguns com excelentes empregos no meio civil, a frequentarem esse ambiente cheio de pica-fuPicadinho 2012- Pilotos de Caçamos e pixoxós. Isso sempre me intrigou!

Buscando algumas explicações fui ao sítio da ABRA-PC na NET e comecei a navegar nas Estórias e no Fórum. Não foi coincidência encontrar, em sua maioria, artigos publicados pelos Maj Brig R1 Lauro Nei Menezes e Brig R1 Quírico. Escondidos, avistei um do Maj Newton, outro do Ten Cel Ronconi e até um meu (nós ainda estamos na ativa!). Sem ressentimentos, desconsiderei os publicados para o Prêmio Pacau Magalhães Motta, pois são enviados em aproveitamento de Monografias/Artigos Científicos dos Cursos de Formação ou de Pós-Formação da Força.

 
De volta ao assunto, estou certo de que a maioria de nós não imaginava que teria que exercer atividades tão diversas daquelas ensinadas na EPCAR e na AFA. Em toda a nossa carreira tivemos que assumir papéis, cargos e funções para os quais não fomos explicitamente preparados. Na EPCAR queríamos ser cadetes e na AFA queríamos ser caçadores. Simples assim!

Mas nessa transição de papéis se apresenta a capacidade de convivência e a habilidade da conquista da admiração. E essas pessoas, as quais eu homenageio, têm sob seu julgo a capacidade de direcionar suas ações. Então, não seria legítimo questionar o que os levaria a estar entre nós convivendo e confraternizando?

Tendo voado por sete maravilhosos anos no 1° GAVCA, vou usar a convivência que tive lá para traçar um paralelo e unificar todas as outras Unidades de Caça da FAB. Cervejadas das sextas-feiras, Ximbocas da Saudade, Aniversários da Unidade, Reuniões da Aviação de Caça, Picadinhos, etc. são uma pequena amostra da convivência que tive e que tenho com eles.

Amigos(as), é nesse ambiente informal e também pelas páginas do periódico da ABRA-PC que nossos homenageados se fazem presentes e nos brindam com suas estórias/histórias. Para eles, o prazer de voltarem ao convívio dos “novinhos”, o prazer de respirar os ares do ambiente operacional, de escutarem o ronco dos motores, de voarem nos voos da saudade, de cantarem o cancioneiro/porno-cancioneiro (acompanhado de um Glenmorangie double shot) se transformam em suave bálsamo rejuvenescedor!

Felipe Duncan, filho do Cel Duncan (meu Adelphi ao Senhor...) num email destinado aos membros da ABRA-PC declarou: “Ele disse que chegou como Coronel e saiu como Tenente” após ter realizado o Picadinho 2012- Pilotos de Caçavoo da saudade no F-5M em 2010 com o Maj Ronconi (na época operações do Grupo).

Caríssimos, não se enganem! Nós é que nos deleitamos com vocês. Viajamos com vocês nos aviões com reloginho, nos planejamentos feitos da ponta do lápis, nos ataques desconflitados com barbante, nas artimanhas e malandragens usadas nas missões de interceptação sem esquecer das dezenas de gráficos consultados para o cálculo de combustível. Contudo, histórias/estórias sem demonstração de atitude e de vibração não dizem nada. Os senhores nos transmitem a emoção de terem pertencido ao Esquadrão A ou B, de terem pilotado máquinas apaixonantes, de terem criado músicas e paródias, de terem lançado um F2 perfeito. Por fim, os senhores nos mostram o que é a essência da CAÇA e o quanto ela AINDA é apaixonante!

Como disse Antoine de Saint-Exupéry “O essencial é invisível para os olhos”. Tenham certeza de que sentimos todas as emoções vividas por vocês.

Por tudo isso é que os senhores (ainda não existem caçadoras na reserva...!!!) são essenciais na perpetuação das nossas tradições. Nero Moura tinha razão! Elas não podem morrer. Por isso, não nos abandonem...

Nos atuais tempos de indecisões e prorrogações na compra de melhores e modernos “cavalos de batalha” (Tacarijú, 2012) os senhores ajudam a manter viva a chama dos jovens “cavaleiros” (Tacarijú, 2012) e nos fazem sonhar e acreditar em novos horizontes.

E assim deixo esta justa homenagem.

Senta a Pua!

  
Helmer Barbosa Gilberto - Maj.-Av.
Piloto de Caça – Turma de 1996
Comandante do Corpo de Alunos da EAOAR – 2012

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